Muitos perguntam o que um homem de fé busca no vazio do espaço. Não sei o que responderia, mas eu, que sou uma mulher e fazendo parte da tripulação da cápsula Orion em sua jornada em torno da Lua, descobri que o espaço não é vazio; ele é uma catedral sem teto, onde o silêncio prega o mais eloquente dos sermões.
Ao contornar o lado oculto da Lua, longe de qualquer sinal de rádio da Terra, vi a solidão em sua forma mais pura. Mas, para um católico apostólico romano, ali não havia desolação. Vi a ordem precisa da Criação escrita no regolito lunar e nas estrelas fixas. Meus colegas e eu, grudados nas escotilhas, sentimos o chamado "Efeito de Perspectiva". Naquele momento, não éramos apenas técnicos ou exploradores; éramos os olhos da humanidade em oração, sentindo a nossa pequenez absoluta diante da onipotência do Criador.
O momento mais sagrado foi o "Nascer da Terra". Ver aquele pequeno ponto azul, frágil e brilhante, surgindo no horizonte lunar, me fez entender as palavras do Papa Francisco sobre a nossa Casa Comum. Dali de cima, não existem fronteiras, guerras ou divisões; existe apenas a obra de arte de Deus flutuando na palma de Sua mão.
Meus colegas sentiram uma unidade profunda — um senso de fraternidade que só a imensidão do cosmos pode despertar.
Mas o sentimento mais avassalador ficou guardado para o retorno. Ao reentrar na atmosfera e ver o azul se intensificar nas janelas, não vi apenas gases e luz. Vi o azul do manto de Nossa Senhora.
Senti o que um filho sente ao avistar sua mãe de braços abertos após uma longa ausência. A Terra nos esperava com a misericórdia de quem acolhe o peregrino.
Se o espaço é o domínio do espírito, a Terra é o lugar da Encarnação. Voltar para o azul foi como mergulhar novamente no amor de Cristo, que se fez homem aqui, neste solo, para nos salvar.
Ao o solo, no resgate, meu coração não recitou dados técnicos, mas um "Te Deum" de gratidão. Vi o universo, mas foi na fragilidade do azul que reencontrei Deus.
Obs: texto criado por meu amigo Sílvio enquanto conversamos sobre o assunto.
Obrigada Palhaço Poeta

Já ia te perguntar se não foi ele quem escreveu... kkkkkkk
ResponderExcluirSe perguntar se é doido afirmo que é, mas vamos lá. O sujeito tem o dom do negócio!!!
Se foi sua inspiração, Larissa, parabéns. Foi uma ótima sacada. Odorei!!!! bjus!!!!
Larissa, que bom te ver novamente!
ResponderExcluirE essa conversa com o Silvio rendeu um belo e profundo texto!
Desejo dias santos bem felizes e uma Páscoa abençoada pra ti e também para o Silvio!
beijos,chica
Chica, valeu, amiga!
ExcluirWhat an amazing post, Larissa! I hope that one day you will visit the Moon and see the beauty of our planet!
ResponderExcluirQuerida Larissa,
ResponderExcluirO nosso amigo Silvio tem o dom de contar histórias e de escrever lindos textos como esse que você nos compartilha. Eu sou fã dele e tenho a honra de ter ele como meu amigo também. Fico encantado como uma conversa descontraída tenha gerado esse belo texto, parabéns aos dois e que novas conversas inspirem vocês dessa forma!
Um abraço paulistano!
Desculpa, Larissa, mas não posso deixar de agradecer ao meu amigo Alécio pelas belas palavras. Alécio, eu não mereço tanto! Os louros são da Larissa, que fez questão que fosse exatamente desse jeito. Obrigado, amigo! Tamo junto!
ExcluirOlá Larissa,
ResponderExcluirSua narrativa é absolutamente inspiradora, nos transporta a esta catedral sem teto que é o espaço, onde o silêncio se torna sermão e cada estrela fixa se torna testemunha da Criação, entendo com você que não há solidão ali-alto, mas uma presença sagrada que nos confronta com o infinito do Criador, o "Nascer da Terra" torna-se então um momento de contemplação profunda, um abraço do universo que nos lembra a unidade da humanidade, nossa pequenez e a misericórdia que nos envolve, senti contigo o azul intenso da Terra como um manto protetor, sinal de amor e acolhimento, e entendo que voltar ao solo foi reencontrar a Encarnação, a fragilidade desse azul que nos leva ao divino, cada momento do teu relato vibra de fé, de maravilhamento e de gratidão, e nos lembra que a beleza do cosmos e a grandeza de Deus estão tanto no infinito acima de nós quanto naquele pequeno ponto azul que chamamos de casa, Obrigado por compartilhar conosco esta viagem interior e espiritual que eleva o coração e desperta o olhar para o sagrado em cada detalhe do mundo e do universo, me permiti adicionar à sua lista de amigos, e é com grande prazer que os convido para o meu universo, com admiração e carinho, Régis.
Independentemente da publicação que amei ver e ler, passo a fim de desejar uma PÁSCOA muito feliz, se possível, junto de quem mais ama.
ResponderExcluir.
“” Pensamentos e Devaneios poéticos ““
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Profundo e magnifico texto.
ResponderExcluirBeijos e uma Páscoa feliz
Oi, querida Larissa, uma postagem muito linda!
ResponderExcluirGostei muito de ler.
Beijinhos, uma Feliz Páscoa!