quinta-feira, 2 de abril de 2026

Onde o espaço encontra o sagrado




Muitos perguntam o que um homem de fé busca no vazio do espaço. Não sei o que responderia, mas eu, que sou uma mulher e fazendo parte da tripulação da cápsula Orion em sua jornada em torno da Lua, descobri que o espaço não é vazio; ele é uma catedral sem teto, onde o silêncio prega o mais eloquente dos sermões.

     Ao contornar o lado oculto da Lua, longe de qualquer sinal de rádio da Terra, vi a solidão em sua forma mais pura. Mas, para um católico apostólico romano, ali não havia desolação. Vi a ordem precisa da Criação escrita no regolito lunar e nas estrelas fixas. Meus colegas e eu, grudados nas escotilhas, sentimos o chamado "Efeito de Perspectiva". Naquele momento, não éramos apenas técnicos ou exploradores; éramos os olhos da humanidade em oração, sentindo a nossa pequenez absoluta diante da onipotência do Criador.

O momento mais sagrado foi o "Nascer da Terra". Ver aquele pequeno ponto azul, frágil e brilhante, surgindo no horizonte lunar, me fez entender as palavras do Papa Francisco sobre a nossa Casa Comum. Dali de cima, não existem fronteiras, guerras ou divisões; existe apenas a obra de arte de Deus flutuando na palma de Sua mão. 

     Meus colegas sentiram uma unidade profunda — um senso de fraternidade que só a imensidão do cosmos pode despertar.

     Mas o sentimento mais avassalador ficou guardado para o retorno. Ao reentrar na atmosfera e ver o azul se intensificar nas janelas, não vi apenas gases e luz. Vi o azul do manto de Nossa Senhora.

     Senti o que um filho sente ao avistar sua mãe de braços abertos após uma longa ausência. A Terra nos esperava com a misericórdia de quem acolhe o peregrino. 

     Se o espaço é o domínio do espírito, a Terra é o lugar da Encarnação. Voltar para o azul foi como mergulhar novamente no amor de Cristo, que se fez homem aqui, neste solo, para nos salvar.

     Ao o solo, no resgate, meu coração não recitou dados técnicos, mas um "Te Deum" de gratidão. Vi o universo, mas foi na fragilidade do azul que reencontrei Deus.


Obs: texto criado por meu amigo Sílvio enquanto conversamos sobre o assunto.

Obrigada Palhaço Poeta

Um comentário:

  1. Já ia te perguntar se não foi ele quem escreveu... kkkkkkk
    Se perguntar se é doido afirmo que é, mas vamos lá. O sujeito tem o dom do negócio!!!
    Se foi sua inspiração, Larissa, parabéns. Foi uma ótima sacada. Odorei!!!! bjus!!!!

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Obrigada por ler e por comentar! Abraços Larissa.